terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ouriços-do-mar




O ouriço-do-mar, pertence à classe dos equinóides do filo Equinoderma. Todos os animais deste grupo possuem a pele recoberta por espinhos, de minúsculos a extremamente desenvolvidos, como no caso dos ouriços marinhos. Apesar de sua aparência primitiva, o filo abrange os invertebrados mais evoluídos na natureza. Junto com a classe equinóide, a dos asteróides é muito conhecida pelos leigos e não-mergulhadores, da qual fazem parte as estrelas-do-mar, e na mesma família dos ouriços está as “bolachas-de-praia” muito conhecidas por banhistas.
Os ouriços têm forma de globo, com espinhos longos e numerosos. Arrastam-se pelo fundo, “pastando” os organismos aderidos às rochas. Seus fortes dentes são capazes inclusive de escavar as rochas, criando nichos onde permanece ainda mais protegido. Há variadas formas de ouriço, alguns de espinhos muito longos e finos como os do gênero Diadema, outros de curtos espinhos e corpo em forma de coração como o Meoma ventricosa. Existem ainda ouriços com espinhos arredondados como o ouriço “pistola” (Heterocentrotus mamilatus) que habitam fundos de rocha, coral e areia. Como seus espinhos são internos, ferimentos nesses organismos geralmente causam infecção.
Para mergulhadores existe risco para os mais afoitos ou inexperientes, que, durante a navegação, acabam se espetando com os ouriços, que é bastante comum ao se apoiarem nas pedras do fundo. Ocorre que os espinhos são recobertos por uma fina camada de tecido, e apesar de não serem venenosas, podem provocar inflamação local e reações alérgicas. Os mergulhadores que possuem cursos de primeiros socorros são treinados para este tipo de acidente, que normalmente não requer nada além da remoção do espinho, se ainda estiver preso, limpeza da ferida e aplicação de analgésico caso haja dor, sendo que alguns preconizam a administração de anti-histamínicos logo, para prevenir reações alérgicas severas.
Em meus mergulhos no Brasil, observo muitos ouriços-do-mar, nunca participei de uma operação em que algum mergulhador tivesse se ferido. Eu mesmo já toquei em alguns inadvertidamente enquanto fotografava um peixe, mas nada me aconteceu. Alguns são exuberantes e enormes. São fáceis de serem fotografados devido à sua mobilidade limitada quando em tocas. Sua classificação por espécie é um tanto difícil, devido ao grande número de ordens e famílias distintas, e ocorrem em todo o planeta.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mergulho em Brasília: seja bem-vindo!







            O mergulho no lago Paranoá em Brasília-DF tem duas alternativas de saída, a mais comum, como retrato nestas fotos, se dá diretamente da margem do lago, e a outra, também comum, se dá embarcado, onde encontramos diversos amigos mergulhadores que possuem embarcações, das mais variadas, desde a simples canoa com motor até as moderníssimas lanchas com GPS e outros brinquedos náuticos. Só por curiosidade, Brasília concentra a maior frota náutica por habitante do Brasil, é muita coisa!
            Saída diretamente da margem:
            Existem vários pontos de saída no lago, como por exemplo: do clube do Congresso, na ponte JK, no Pontão, próximo às outras pontes, junto ao clube de golfe, que em cada um deles tem suas peculiaridades. No caso das pontes, há de se ter cuidado com os restos das obras e a profundidade não passa dos 25 metros. Nos clubes, tomar cuidado com as embarcações que passam rotineiramente o dia inteiro, devido à baixa profundidade, não passa dos 15 metros, para evitar acidentes fatais, no do golfe o destaque fica com as bolas de golfe que você pode encontrar às vezes, um “ninho” de bolas, devido aos inexperientes golfistas. Mas é na Barragem que se encontra os dois melhores pontos, o da margem sul e da margem norte, onde podemos ter até 40 metros de profundidade ou mais e são os pontos mais procurados para o esporte e para o lazer de quem não mergulha. Aos domingos, é comum ter dezenas de lanchas e até iates no lado sul da Barragem. Em todos os pontos, nunca mergulhar sem sua bóia de identificação de mergulho.



           Na saída norte da Barragem, encontram-se mais mergulhadores que, aos finais de semana chega a ter engarrafamento de automóveis. Acho que o dia mais cheio que mergulhei, havia mais de cem mergulhadores naquele mesmo ponto. E, em superfície, fica a animação dos que esperam o tempo de superfície para cair na água de novo, e os que não irão mergulhar, pura diversão! Uma boa pedida para o final de semana. A paquera rola solta, o que é bom, uma vez que já perdi namoros por não entender o porquê de tanto mergulho (é quase a mesma implicância com o Futebol do domingo), mas está é outra estória, que já se tornou mito entre os mergulhadores: nós somos eternamente solteiros (as), até encontrar quem tenha o mesmo vício/paixão pelo esporte.
            Os equipamentos são estendidos em lona, as duplas selecionadas, sendo comum a formação de trios, mas não mais que isso, devido às peculiaridades do mergulho nestas duas saídas. Uma vez que as duplas estão formadas, faz-se o breafing geral, pelo mais antigo, como o baixinho da Paranoá Divers, ou o Artur, grande amigo. Na água, o mais avançado decide com o seu dupla o trajeto do mergulho, sempre se deve fazer o planejamento do mergulho nestas duas saídas, sempre! 





           Na saída norte, temos uma navegação com uma leve inclinação em direção ao “meio” do lago que vai de 15 a 20 metros de profundidade, após esta marca, estende-se por toda a barragem um verdadeiro “penhasco” que lhe leva diretamente aos 40 metros de profundidade, um paredão de pedra que está cheio de enroscos, por isso cuidar da equalização, ligar as lanternas e cuidar de seu dupla. Chegando aos 40 metros, existe uma planície de areia ou suspensão, que mergulhadores menos experientes revolvem com suas nadadeiras, diminuindo a visibilidade que já é pouca (geralmente entre 1 a 5 metros). A partir daí, navegar como o combinado, com a ajuda da bússola e dos computadores de pulso. Lanternas sempre! Uma primária e uma secundária nunca mergulhem com apenas uma lanterna, pois lá embaixo não chega nada de luz solar, devido a uma grossa camada de suspensão que fica dos 18 aos 25 metros mais ou menos, barrando qualquer raio solar.
            É um mergulho muito interessante, eu gosto muito. Nele você pode testar seus limites e com o treinamento rotineiro, chegar a um grau de tranqüilidade e segurança que é difícil observar em outros mergulhadores quando vamos para lugares paradisíacos. Realmente, os mergulhadores da barragem do Paranoá se destacam nos diversos pontos de mergulho pelo mundo, devido a estas características, por ter em nosso “quintal” um local excelente para treinamento de mergulhadores.
            Nos períodos de estiagem, a água tende a atingir um maior grau de visibilidade, devido ao sedimento da poeira, o que ocorre de Maio a Setembro. Durante os meses de Dezembro e Janeiro, quando chove muito, ficar atento à profundidade, pois pode chegar a mais de 40 metros, devido ao volume de água no lago.





           

           Bem, para quem acha estranho mergulhar, ou fazer turismo de mergulho em Brasília, pode ter certeza que irá se divertir, e fica aqui o convite para procurar as lojas da cidade, que não se admire, são muitas, e todas com qualidade e excelentes profissionais. Como pode me procurar também, terei enorme prazer em mergulhar com quem tiver interesse, só não esqueçam que é bom ter no mínimo o curso de avançado, ok?!
            O mergulho em Brasília te aguarda mergulhador!

domingo, 26 de setembro de 2010

A Combi do Lago Paranoá, Brasília-DF, Brazil




            


            Vários mergulhadores e, principalmente, não-mergulhadores me perguntam espantados o que é que se tem pra ver em mergulhos no Lago Paranoá em Brasília-DF, quando eu afirmo mergulhar muitos finais de semana lá. Bem, além de ser o meu futebol de domingo, momento de reencontrar os mergulhadores da cidade, há dias que fica lotado de gente, o local é muito bonito para ficar em solo admirando a paisagem e para os que vão soltar borbolhas, há a possibilidade de encontrar a famosa combi, brincadeira de naufrágio em águas doces. Em tempo, o local é quase todo cabeado, não sendo difícil para mergulhadores em nível básico chegar até ela, uma vez que se encontra a uma profundidade segura para este nível.
            Óbvio que para mim, o grande barato de mergulhar no Paranoá é testar o seu limite em profundidade e treinar a sua segurança e tranquilidade em um ambiente sem luz, criar laços com seu dupla pois se têm de navegar lado a lado, muitas vezes de mãos dadas.
            Nestas fotografias, estamos eu e a Deborah Proença, uma de minhas duplas mais assíduas aqui em Brasília, antes do mergulho, removendo os equipamentos, e fotos da combi, que não dá para ver direito e esse é um dos maiores problemas para fotografias subaquáticas no Paranoá, é devido à fácil suspensão, evitando que a sua digital foque no objeto almejado, a coluna de água entre o fotógrafo e o objeto apesar de não ser tão grande é cheia de suspensão que retém o flash e o foco da máquina.
            De qualquer maneira, venho trazer mais um dia de mergulho no Lago Paranoá em Brasília, para os curiosos que não têm idéia do que existe por lá/aqui.

sábado, 25 de setembro de 2010

Primeiros Socorros em Mergulho - "auto-resgate"






Esta é a primeira de uma série de observações e relatos de experiências vividas, sobre o tema Primeiro Socorros em acidentes com mergulhadores e algo a respeito de como age um Mergulhador de Resgate (Rescue Diver), além de protocolos de emergência, etc.
Começo pelo “auto-resgate”. Como em quase todas as situações da vida, você deve conseguir se ajudar/cuidar antes de poder ajudar/cuidar do outro. Em mergulho, a confiança que seu dupla tem em você é muito importante, como o contrário seria interessante também. Para que esta confiança seja mais efetiva, ao ser um mergulhador que se prepara e entende de seus equipamentos e fisiologia para prevenir acidentes, já manifesta uma segurança percebida no seu modo de lidar fora e dentro da água.
Segundo o meu curso de Rescue Diver, feito em Arraial do Cabo-RJ, com a bandeira da PADI, em 2005, o auto-resgate pode ser dividido em três partes: preparação, prevenção e desempenho.
Na preparação, sua auto-suficiência começa com o seu preparo físico e mental. Na prática, quando se mergulha muito (não sei se mergulhei muito, mas até hoje 25 de Setembro de 2010, tenho mais de cem mergulhos logados), observa-se toda a sorte de mergulhadores, digo isto além da língua distinta (sempre se encontram estrangeiros), são homens, mulheres, adolescentes e até crianças, todos com o seu físico diferenciado, uns mais atléticos, outros mais obesos e ainda muito magros. O fato é que, um mergulhador de resgate tem de fazer exercícios regularmente, manter uma dieta balanceada, etc. para que esteja apto para possíveis situações de emergência. E, o que se observa é que a maioria não se exercita, sucumbindo à fome após o mergulho.
            Além de exercícios físicos, a tranquilidade e segurança há de ser obtidas com a manutenção de sua mente sã, incluindo aí estudos contínuos sobre os temas técnicos de mergulho, manter sua autoconfiança, sem exceder limites que podem causar acidentes, conhecer bem os equipamentos de mergulho. Tudo isto lhe traz mais segurança e tranquilidade.
            Na prevenção, basicamente, há de se antever ou ainda atecipar-se a possíveis problemas. Por exemplo, fazer a manutenção de seus equipamentos com freqüência, testando-os sempre antes de qualquer mergulho. Verificar o seu estoque de ar com frequência, dirigir-se á saída com uma reserva de ar mais ampla que o habitual. Reconhecer problemas como esforço excessivo, hipotermia, vertigem, etc.
            Na performance, encontra-se a condição mais subjetiva do auto-resgate, pois aí vão estar envolvidos ações tecnicamente corretas aliadas à calma e rápidas e deliberadas decisões. Para facilitar isto, no meu curso, tenta-se objetivar-se tal etapa com quatro pontos, em caso de alguma situação emergencial:

·         PARE
·         RESPIRE
·         PENSE
·         AJA

Caso não consiga solucionar a situação, pare e repita a operação e, em hipótese alguma deixe de respirar calmamente.

Todo mergulhador cedo ou tarde passa por alguma situação em que ele deverá utilizar-se deste auto-resgate, até mesmo como ajuda primordial ao seu dupla. Eu também já passei por algumas poucas e boas! Mas se você está preparado para ficar simplesmente calmo e respirando vagarosamente, conseguirá contornar a situação, seja ela qual for, sempre há solução, não se esqueçam disso.